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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Alcoólicos Anônimos 70 anos no Brasil

São 70 anos de experiências no Brasil, que infelizmente não temos muito que comemorar, dada a pouca eficiência de nossa sociedade de alcoólicos recuperados que teimam em seguir seu caminho apartado de sua importante Obra, legada em nossos livros. Experiências escritas que fazem toda diferença na boa compreensão em tudo aquilo que envolve o alcoólico, a doença, o tratamento e toda nossa sociedade.

Segundo Alcoólicos Anônimos, a doença do alcoolismo é determinada, no indivíduo, por meio da combinação: obsessão aliada a compulsão. Um fator psíquico combinado a outro, orgânico: nós, os alcoólicos, desenvolvemos um tipo de reação alérgica ao ingerirmos a substância álcool, e, a partir daí, correremos o "risco" de gerar a compulsão. Diferente daquilo que muito se pensa, quantidade e a qualidade das bebidas não são os fatores que determinam a doença do alcoolismo.
Esclarecemos que Alcoólicos Anônimos não é uma sociedade antialcoólica. Não combatemos o uso do álcool, mas sim, tratamos, única e exclusivamente, do alcoólico que sofre. Nosso papel de relações públicas junto à sociedade é estritamente informativo. Fornecemos informações sobre os aspectos do alcoolismo, extraídas de nossas próprias experiências, a fim de possibilitar ao alcoólico que ignora o seu alcoolismo uma possível identificação. Além disso, oferecemos nossa solução para o seu tratamento. A única prevenção que realizamos visa a evitar um maior comprometimento do indivíduo já alcoólico em relação à doença, a partir do esclarecimento acerca de dois dos seus principais aspectos: a inexistência de uma cura reconhecida que impeça a progressão da doença e restabeleça a condição de bebedor social, quero dizer, retroceder a tal condição moderada. Essa sim seria a cura.
É importante mencionarmos que o conceito de doença, trabalhado por Alcoólicos Anônimos desde 1935, somente foi reconhecido e adotado oficialmente, pela OMS, 29 anos após o registro em seu livro grande, intitulado "Alcoólicos Anônimos", de 1939. Isso denota o caráter vanguardista de A.A., que perdura, até os dias de hoje, em todo o planeta.
É preciso dizer que, infelizmente, a maioria esmagadora de nossos membros desconhece os detalhes, ou não são capazes de descrever com total clareza, que Alcoólicos Anônimos possui um método para o tratamento da doença do alcoolismo, contido em seu programa de recuperação. Método este cedido à diversas sociedades paralelas para o tratamento de seus inúmeros transtornos ocasionados pelas neuroses do ego. Um método lógico, racional e revolucionário, que ainda insiste em permanecer na ponta, como solução definitiva para o tratamento do alcoolismo, apesar dos seus 82 anos de existência. Lembramos sempre que nenhum dos seus membros fala "em nome de" A.A., mas, no máximo, "de" A.A.
As opiniões dos alcoólicos recuperados baseiam-se sempre na propriedade de suas experiências pessoais. Nossas experiências afirmam que precisamos encontrar uma nova maneira de viver, resultante do método para o alcance e manutenção da nossa sobriedade.
Uma VIDA que realmente nos agrada....

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Alcoólicos Anônimos, autossuficiente!?

70 anos de A.A. no Brasil

Nossa 7ª Tradição versa em seu cabeçalho a seguinte sugestão:  "Todos os grupos de A.A. deverão ser absolutamente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora"; tradução nas edições brasileiras sob o controle da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil ─ JUNAAB ─, permissão cedida nos seus direitos de tradução e reprodução por: Alcoholics Anonymous World Services. Inc. ─ AAWS ─


O que entendemos por autossuficiência? E, em nosso caso, absoluta? Aqui, agora, ou no futuro, já que a tradução conjuga o verbo dever no futuro da terceira pessoa do plural? Algo que, no original, pretende que sejamos no presente, já neste instante, e não mais adiante!

Sim, autossuficiência quer dizer que nós nos bastamos. E, no caso da nossa 7ª Tradição, diz respeito às questões relacionadas ao nosso sustento material através de nossos próprios meios, que, consequentemente, esbarra diretamente nas nossas relações humanas contempladas na 8ª Tradição, e, indiretamente, na 9ª Tradição.

"Absolutamente" é o termo que ratifica a recomendação de recusa de quaisquer donativos materiais, mesmo aquelas doações que simulam concessões inofensivas.

Vejam bem! Não estou falando aqui de R$ 10,00 (dez reais) que um visitante acidentalmente coloca na sacola de uma reunião por descuido do coordenador da mesma, mas sim, por exemplo, do abrigar, majoritariamente no fundo das igrejas católicas, em troca de um pagamento simbólico de R$ 50,00 mensais ─ isso é uma ilustração ─, as reuniões de um Grupo de A.A., que ocorrem num único dia da semana. Não é o valor que consagra o erro, mas a inexistência de um contrato que defina os plenos direitos e deveres das partes envolvidas. Ideal seria que ficássemos distantes das igrejas ou de qualquer instituição religiosa, evitando assim, ao máximo, associações com seitas e religiões, em benefício do ateu ou agnóstico. Diz a profecia, que: “A verdadeira liderança de A.A. se encontra do lado fora”. Torço para que eu veja essa profecia se realizar ainda nesta vida.

Sendo assim, nada mais justo, por razões lógicas e óbvias que as ilustrações citadas denunciam, seguirmos na correção imediata da tradução. Onde se lê a palavra "autossuficiência", deve ser lido o termo "autossustentável", conforme o texto original americano diz: "self-supporting", e não self-sufficiency.

Mesmo que a 7a Tradição só se refira a questões materiais, e pudesse caber a palavra "autossuficiência" para esse aspecto, fica claro, para mim, que nada é mais inapropriado. É mais eficaz ficarmos com o que versa o original em inglês americano, usando o vocábulo "autossustentável", dirimindo, assim, dúvidas, e não permitindo brechas para uma interpretação inadequada, já que a clareza da sua significação é total com a correção.

Na verdade, a autossuficiência para nós, alcoólicos, é perniciosa e vai de encontro aos nossos princípios espirituais.

Só por agora, pretendemos não mais buscá-la em nossas vidas, individuais ou coletivas, e, por isso mesmo, é que devemos abolir qualquer menção inadequada em nossa literatura ou registros. Nos é revelado, por A.A., que existe uma forma de dependência nunca por nós experimentada, e quanto mais dependentes de um Poder Superior, mais livres nos tornamos. Este mesmo princípio se estende e é verificado nas nossas relações de serviços com os nossos custódios não alcoólicos, profissionais e amigos de A.A., funcionários, que cumprem seus papéis de grande valor, e, sobretudo, de Deus.

Há ou não há uma dependência nesses aspectos? Elas são perniciosas? Mas, quanto às responsabilidades referentes ao nosso próprio sustento? Vamos ao absoluto!?

Caro leitor, caso ainda não tenha se dado por satisfeito, Bill W., no texto do primeiro passo, no inglês americano, no segundo parágrafo, diz "self-sufficiency", quando afirma que "álcool nos esvazia de toda autossuficiência". Portanto, Bill W. não se enganou utilizando expressões distintas nos seus devidos contextos. Desejou comunicar-se conosco, evitando, ao máximo possível, as dúvidas que as palavras possam promover para o bom funcionamento de toda essa engenharia que Alcoólicos Anônimos verdadeiramente é.

Agora, o que realmente o nosso cofundador quis nos oferecer como princípio em nossas tradições e especialmente nesta? Para mim, resultado precioso do exercício da humildade junto a responsabilidade, desejando que a 7ª Tradição se manifeste com total sabedoria e força, dizendo: “Todos os grupos de A.A. devem ser absolutamente autossustentáveis, rejeitando quaisquer doações de fora." Estabelecendo por princípio em A.A. a virtude da pobreza, para nós, pobreza coletiva. Algo tão temido e mal compreendido por todos nesse mundo. Que lição! 

Um viva bem sonoro aos 70 anos de A.A no Brasil. Salvando vidas!