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terça-feira, 19 de setembro de 2017

O bom é inimigo do melhor em Alcoólicos Anônimos


Ao Comitê Trabalhando com Outros do país e a quem mais desejar.


Simpósio (em grego: συμπόσιον, transl. sympósion) é um termo que se referia, na Grécia Antiga, a uma festa em que bebidas eram servidas (o verbo grego sympotein significa "beber junto"), geralmente realizada depois de um banquete, e durante a qual eram travados diálogos e conversas intelectuais, enquanto escravos ou empregados faziam apresentações de música e dança. Recentemente, o termo passou a designar qualquer conferência acadêmica ou um estilo de aula, ministrada em universidades, que segue um formato abertamente discursivo, e não o formato tradicional de uma palestra ou de uma aula com perguntas e respostas.
O termo, na sua acepção original, me parece bem apropriado para o novo caso que trataremos em nosso blog. Infelizmente ─ ou felizmente ─, mais uma vez, a nossa análise recorrerá ao tom da crítica. Peço licença aos senhores e senhoras, queridos leitores e companheiros, pelo inconveniente, mas é necessário estabelecer alguns esclarecimentos sobre um comportamento completamente discordante de nossos princípios espirituais e fundamentais. Acreditem: precisamos revisar toda a nossa sociedade de Alcoólicos Anônimos, caso contrário, estaremos muito próximos do fim de nossa “OBRA”, já que a geração de valorosos servidores veteranos, imbuídos e movidos genuinamente pelo sentimento de zelo e gratidão, estão por desaparecer. Aqui, me refiro somente aos donos dos "Anéis de Bamba", aos mestres do trabalho e sacrifício. Uma geração anônima que muito realizou, impelida pelo instinto de sobrevivência, e seguida, mais adiante, por uma geração nova que muito pouco realizara, talvez por acreditar que já estivesse tudo pronto. Ledo engano! 
Quer dizer que Alcoólicos Anônimos no Brasil certifica a participação dos presentes em seu "simpósio"? Então, devo supor que o A.A do Brasil deixou sua autoridade moral e leiga por uma autoridade magistrada. É isso mesmo? E o pior de tudo: reunimos nomes de pessoas que, em sua maioria, não respondem por Alcoólicos Anônimos, e endossamos, com o nosso patrocínio e apoio em gênero, número e grau, suas verdades, teorias, contradições, equívocos, sofismas etc, relacionados a nossa experiência na recuperação de alcoólicos. Quanto a nossa solução, quem falará de Alcoólicos Anônimos aos palestrantes e comensais?

Rasguemos, então, nossas tradições pela falta de fé no alcance da sobriedade? Estamos permitindo que pessoas alheias a nossa sociedade, com suas convicções materialistas, nos desviem de nosso propósito único. Isto é tão fácil de verificar, que basta olharmos os temas apresentados para o simpósio, por exemplo. Não há uma única menção ao nosso propósito. Uma única sequer! Comportamentos como este vêm ocorrendo há muito tempo. Estamos fazendo política, e não deveríamos, nos envolvendo e nos intrometendo em questões alheias ao nosso propósito único: alcançar o alcoólico que sofre e deseja encontrar uma solução definitiva para o seu maior problema.

Reconhecemos em nossas salas, nos dias atuais, inúmeros candidatos à recuperação, encharcados de medicações alopáticas e educados por seus próprios médicos, afirmando que sua única saída será procurar um repositório, quero dizer, um clube de A.A. para frequentar diariamente, além de utilizar, agora, indiscriminadamente, a medicação prescrita até o fim de suas vidas! Que merda!!! Onde está a vida útil, integra e significativa numa filosofia desta? A.A. é vida, e VIDA em abundância! Mas tem que se submeter aos princípios. Mas, primeiro, precisamos conhecê-los... Desfazer uma mentalidade como essa é trabalhoso por demais. O tratamento da dependência química pela ciência materialista é considerado, pelas autoridades, como uma verdadeira utopia. Na verdade, eles já desistem antes mesmo de começar.

Nosso Jornal, não quer dizer que as pessoas envolvidas no “simpósio” estejam mal-intencionadas, mas sim, que talvez estejam sendo inconscientemente conduzidas pela ilusão do prestígio e poder. Estamos bem certos das suas qualidades profissionais e acadêmicas, mas reconheço, tão claro como água de ribeirão, seus interesses pessoais, que, talvez por descuido ou por nos subestimarem ou por não confiarem em nossas experiências de mais de 80 anos no tratamento do alcoolismo pelo mundo, usam o A.A. e, como não bastasse, soterram nossos princípios. Na verdade, eu me pergunto: e quanto a nós, membros efetivos de A.A., confiamos ou não confiamos em Alcoólicos Anônimos?

Todavia, conduzir o movimento Alcoólicos Anônimos em direção contrária à solução que A.A propõe para ao alcoólico que sofre do alcoolismo e que deseja ajuda, para mim, é ilegal e imoral.

Talvez nossos princípios estejam ultrapassados e precisem de uma reforma ou adequação por conveniência à contemporaneidade. Será? Posso responder, com toda a segurança, que não! Alcoólicos Anônimos ainda está por ser descoberto. Estão reservados ao futuro seus conceitos e integridade. Aqui está o nosso grande risco: esse futuro só se dará se seguirmos o que foi sugerido por nossos fieis co-fundadores, em sacrifício de nossas frágeis vontades. Contudo, posso afirmar aos senhores e senhoras: o maior grau de eficiência no tratamento do alcoolismo é nosso. Certamente, se nos aproximássemos o máximo possível daquilo que nos foi legado, atingiríamos o mesmo nível em efetividade. 
Não atuamos no campo da educação, não promovemos encontro algum para quem quer que seja, não apoiamos e nem combatemos causa alguma, seja ela judiciária, científica, política, socioeconômica, legislativa, publicitária, pedagógica, enfim, nada! Por mais meritório que possam parecer. E não é por arrogância, e sim, por sobrevivência. Jamais polemizamos! 
Um outro exemplo é o termo de cooperação com a Justiça que, ao nosso ver, é completamente equivocado e contraditório. E não por culpa dos amigos de A.A.  que são membros da Justiça, mas pelos trabalhos de informação pública que deveriam ser proativos e não são, bem como pela falta de compromisso e responsabilidade de nossos próprios quadros de servidores, que simplesmente aguardam o bebedor-problema tropeçar em nossos clubes pelo encaminhamento da Justiça, ocasionando, assim, inúmeros conflitos nessa recepção. Mas isso é assunto para um novo artigo.

Outro dia, assisti por um canal do YouTube, um Amigo de A.A. (segundo o próprio) tão simpático e, ao mesmo tempo, tão tolo em seus doces comentários e afirmações, coincidentemente, tão infeliz quanto seu interlocutor, afirmando, em rede nacional, num programa da TV aberta, que nós, os A.As, somos os Santos da Modernidade. Que piada! E pior: disse que podemos frequentar nossas reuniões por esporte. No fundo, no fundo, esse cidadão, me cheirava a cachaça, um dos nossos, e dos “brabos”. Fatalmente, um companheiro enrustido, que chamamos, por aqui, de bebedor-forte, muito parecido com o verdadeiro alcoólico, só que com uma diferença: um susto o faz parar de beber por completo. Já o verdadeiro, meus amigos, está condenado a uma reforma radical de personalidade se quiser sobreviver.
     
Já vi essa prática de Simpósios para profissionais acontecer aqui no Rio de Janeiro, promovida pelo nosso ESL. Mas, por aqui, a gente até engole por amor aos mesmos. A deficiência de nossos servidores é total na matéria tradições e passos. Pelo que vejo, é uma metástase!!!

Temas do material apresentado para simpósio patrocinado pela JUNAAB. 

  1.  Alcoolismo no século 21 - Cenários e Perspectivas.
  2.  Ações da Justiça no enfrentamento do alcoolismo.
  3.  Alcoolismo e Sociedade - Formar e informar

Por favor, leiam todas as orações ou frases, como quiserem, da 6ª e 10ª tradições de Alcoólicos Anônimos. Reflitam e, juntos, entendam suas implicações.

Por último, deixarei um singelo recorte, mas com potente clareza, para vocês: "Mais do que nunca percebemos que não poderíamos emprestar o nome de A.A. a qualquer causa que não fosse a nossa". 

Graças ao nosso bom Deus, tudo está mudando e pra melhor!!! Estamos inaugurando uma nova fase na recuperação das ideias originais de Alcoólicos Anônimos, exatamente igual à origem do termo simpósio. Ideias usurpadas por seus próprios membros, em razão do desejo pessoal de prestígio e grana. O mercado e a indústria da dependência química são dois monstros insaciáveis, funcionam de forma bem parecida a algo que nos é bastante familiar. O problema não é o álcool, e sim, nós, as personalidades. E o A.A. tem a solução completa para esse MAL.

Só por agora, compreendo o significado restrito nesta máxima encontrada em nossos livros fundamentais. O bom é inimigo do melhor. Agora, só por agora. Jornal Haja Fígado.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Alcoólicos Anônimos 70 anos no Brasil

São 70 anos de experiências no Brasil, que infelizmente não temos muito que comemorar, dada a pouca eficiência de nossa sociedade de alcoólicos recuperados que teimam em seguir seu caminho apartado de sua importante Obra, legada em nossos livros. Experiências escritas que fazem toda diferença na boa compreensão em tudo aquilo que envolve o alcoólico, a doença, o tratamento e toda nossa sociedade.

Segundo Alcoólicos Anônimos, a doença do alcoolismo é determinada, no indivíduo, por meio da combinação: obsessão aliada a compulsão. Um fator psíquico combinado a outro, orgânico: nós, os alcoólicos, desenvolvemos um tipo de reação alérgica ao ingerirmos a substância álcool, e, a partir daí, correremos o "risco" de gerar a compulsão. Diferente daquilo que muito se pensa, quantidade e a qualidade das bebidas não são os fatores que determinam a doença do alcoolismo.
Esclarecemos que Alcoólicos Anônimos não é uma sociedade antialcoólica. Não combatemos o uso do álcool, mas sim, tratamos, única e exclusivamente, do alcoólico que sofre. Nosso papel de relações públicas junto à sociedade é estritamente informativo. Fornecemos informações sobre os aspectos do alcoolismo, extraídas de nossas próprias experiências, a fim de possibilitar ao alcoólico que ignora o seu alcoolismo uma possível identificação. Além disso, oferecemos nossa solução para o seu tratamento. A única prevenção que realizamos visa a evitar um maior comprometimento do indivíduo já alcoólico em relação à doença, a partir do esclarecimento acerca de dois dos seus principais aspectos: a inexistência de uma cura reconhecida que impeça a progressão da doença e restabeleça a condição de bebedor social, quero dizer, retroceder a tal condição moderada. Essa sim seria a cura.
É importante mencionarmos que o conceito de doença, trabalhado por Alcoólicos Anônimos desde 1935, somente foi reconhecido e adotado oficialmente, pela OMS, 29 anos após o registro em seu livro grande, intitulado "Alcoólicos Anônimos", de 1939. Isso denota o caráter vanguardista de A.A., que perdura, até os dias de hoje, em todo o planeta.
É preciso dizer que, infelizmente, a maioria esmagadora de nossos membros desconhece os detalhes, ou não são capazes de descrever com total clareza, que Alcoólicos Anônimos possui um método para o tratamento da doença do alcoolismo, contido em seu programa de recuperação. Método este cedido à diversas sociedades paralelas para o tratamento de seus inúmeros transtornos ocasionados pelas neuroses do ego. Um método lógico, racional e revolucionário, que ainda insiste em permanecer na ponta, como solução definitiva para o tratamento do alcoolismo, apesar dos seus 82 anos de existência. Lembramos sempre que nenhum dos seus membros fala "em nome de" A.A., mas, no máximo, "de" A.A.
As opiniões dos alcoólicos recuperados baseiam-se sempre na propriedade de suas experiências pessoais. Nossas experiências afirmam que precisamos encontrar uma nova maneira de viver, resultante do método para o alcance e manutenção da nossa sobriedade.
Uma VIDA que realmente nos agrada....